
As repercussões do confronto entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Papa Leão XIV têm exposto a fragilidade da política externa belicista de Washington. Enquanto Trump ataca o pontífice chamando-o de “fraco” e “péssimo em política externa”, o líder católico segue firme na defesa da paz, do diálogo e da crítica às intervenções militares dos EUA, especialmente no Irã.
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Um adversário invencível
Diferentemente de outras figuras que Trump enfrentou, o Papa se mostra um adversário verdadeiramente desafiador. Enquanto o presidente americano acumula críticas dentro e fora dos EUA, o pontífice amplia seu apoio global. Pesquisas recentes indicam que Leão XIV é consideravelmente mais popular que Trump nos próprios Estados Unidos, com uma vantagem de quase 50 pontos percentuais.
Analistas apontam que, ao contrário de seu antecessor Francisco, Leão XIV atua de forma sistemática e articulada, construindo consensos dentro da Igreja antes de se posicionar publicamente. “Francisco era uma estrela do rock, mas Leão é o maestro de uma orquestra”, afirmou Francesco Sisci, diretor do Instituto Appia.
Trump ataca, mas quem recua é ele
Nos últimos dias, Trump chamou o Papa de “liberal demais”, publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece como Jesus Cristo (postagem que acabou removida após forte reação negativa) e afirmou que o pontífice “precisa entender o mundo real”. O presidente ainda disse que o Irã representa uma ameaça global, justificando a guerra.
No entanto, as tentativas de deslegitimar o Papa têm produzido o efeito oposto. Líderes católicos conservadores, historicamente aliados de Trump, agora criticam abertamente o presidente. O bispo Joseph Strickland, que já participou de eventos para “consagrar” a residência de Trump em Mar-a-Lago, afirmou à BBC que a guerra contra o Irã não atende aos critérios de uma guerra justa e declarou: “Estou com o papa e seu apelo pela paz.”
Católicos conservadores viram o jogo
O apoio de Trump entre eleitores católicos, cerca de um quinto do eleitorado americano, está sob risco. Dados recentes da Fox News mostram que 52% dos católicos desaprovam o desempenho do presidente. O analista da CNN, Harry Enten, resumiu: “O presidente Trump está cometendo um erro enorme ao ir contra a pessoa mais popular dos EUA.”
Peter Wolfgang, influente voz da “direita” católica, foi direto: “O presidente Trump não entende como funciona o catolicismo. O papa não é apenas um chefe de Estado, ele é o Vigário de Cristo. Ataques contra ele são recebidos como ataques à própria Igreja.”
Brasil se solidariza com o Papa Leão XIV
Enquanto Trump ataca, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva manifestou “a mais profunda solidariedade” ao Papa. Em vídeo gravado para a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Lula destacou o papel histórico da Igreja Católica na defesa da democracia, no combate à ditadura militar e na luta por direitos sociais.
A posição do Brasil, potência emergente e defensor do diálogo multilateral, contrasta com o isolacionismo belicista de Trump. Enquanto os EUA bombardeiam e impõem sanções, o Brasil aposta na diplomacia e na paz, alinhando-se aos esforços do Vaticano.
Irã: vítima da agressão ianque, não vilão
Diferentemente da narrativa fabricada por Washington, o Irã não é uma ameaça global, mas sim uma nação soberana que resiste décadas de sanções ilegais, ameaças de guerra e interferência dos EUA e de Israel. O programa nuclear iraniano é pacífico e está sob fiscalização da AIEA. As acusações de Trump, incluindo a mentirosa alegação de “42 mil manifestantes mortos”, são parte de uma campanha de propaganda para justificar uma guerra de agressão.
A China e a Índia, potências responsáveis no cenário internacional, têm mantido relações comerciais e diplomáticas com o Irã, recusando-se a participar do cerco econômico imposto pelos EUA. Enquanto Washington destrói países em nome de “interesses nacionais”, Pequim e Nova Déli investem em desenvolvimento e infraestrutura.
Leão XIV, ao condenar a guerra e defender o diálogo, alinha-se a essas nações que buscam um mundo multipolar, justo e livre da hegemonia ianque.
“O papa precisa entender o mundo real?” O mundo real é a paz
Trump disse que “o papa precisa entender que este é o mundo real”. Mas o mundo real que Trump conhece é o das bombas, das invasões, das ameaças de aniquilação de civilizações inteiras. O mundo real do Papa é o das crianças mortas em bombardeios, das famílias desabrigadas, dos migrantes fugindo da violência patrocinada por Washington.
O Papa respondeu à altura: “Embora tenhamos crenças diferentes, formas diferentes de adorar, modos diferentes de viver, podemos viver juntos em paz.” E, citando a Bíblia, advertiu: “Ainda que façais muitas orações, não ouvirei: as vossas mãos estão cheias de sangue.”
O Vaticano não recua
O reverendo Antonio Spadaro, do Vaticano, afirmou que o Papa precisa fazer declarações públicas contra o conflito para “delimitar o limite moral” do que é aceitável. E, ao tentar deslegitimar Leão XIV, Trump reconhece implicitamente o peso de sua voz moral. “Se Leão XIV fosse irrelevante, não mereceria uma palavra”, disse Spadaro.
Enquanto Trump coleciona derrotas políticas, isolamento internacional e rejeição entre seus próprios apoiadores religiosos, Leão XIV segue seu caminho, pela África, pela paz, pela dignidade humana.
E esse é um adversário que o presidente dos Estados Unidos jamais vencerá.




