
Delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho foi expulso dos Estados Unidos por determinação do governo Donald Trump, nesta segunda-feira (20). Ele atuava como oficial de ligação da PF junto ao ICE (serviço de imigração americano) em Miami e estava envolvido na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), foragido da Justiça brasileira.
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A farsa americana: proteger golpista e punir quem cumpre a lei
A decisão foi anunciada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado americano, que acusou o delegado brasileiro de tentar “manipular o sistema de imigração” e “estender perseguições políticas” aos EUA. Sem citar nome, a nota afirma que “nenhum estrangeiro pode fazer isso”.
Abaixo da retórica hipócrita, está a realidade: os EUA, que se dizem defensores da democracia, estão dando guarida a um condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ramagem foi sentenciado a 16 anos de prisão por integrar o núcleo central da trama golpista que buscava manter Jair Bolsonaro no poder. Ele deixou o Brasil de forma clandestina, cruzando a fronteira de Roraima com a Guiana, e entrou ilegalmente nos EUA.
Ao invés de deportar o foragido, Trump ordena a expulsão de quem tentou fazer cumprir a lei. É a cara do imperialismo ianque: protege golpistas e agride a soberania de nações que ousam se impor.
A verdade sobre a atuação do delegado da PF Marcelo Ivo
Segundo fontes da PF ouvidas sob reserva, Marcelo Ivo não ludibriou ninguém. Todas as suas ações tiveram o aval da direção do ICE. O delegado participou de reunião com dirigentes do ICE na quinta-feira (16), quando foi informado de que Ramagem estava em situação legal provisória nos EUA, aguardando pedido de asilo – um direito que não assiste a um condenado por tentativa de golpe.
A narrativa americana de “perseguição política” é uma cortina de fumaça para esconder o vexame: um país que se arroga como “farol da democracia” acolhendo um golpista e punindo quem age dentro da lei.
Trump e Bolsonaro: a irmandade do autoritarismo
Não é coincidência. Trump e Bolsonaro são aliados políticos de longa data, unidos pelo desprezo à democracia, aos direitos humanos e ao Estado de Direito. Ramagem, que foi chefe da segurança de Bolsonaro e diretor da Abin, é peça-chave dessa rede.
Após ser solto nos EUA, Ramagem publicou um vídeo agradecendo à “mais alta cúpula da administração Trump” pela liberação. Eduardo Bolsonaro também agradeceu publicamente ao presidente americano e ao secretário de Estado Marco Rubio pela “sensibilidade”.
Enquanto isso, o Brasil – que pediu formalmente a extradição de Ramagem em janeiro – vê seus esforços sabotados pelos próprios EUA. O Itamaraty, covardemente, disse que não se manifestaria. A PF sequer foi comunicada formalmente da expulsão.
O Brasil não pode aceitar humilhação
A expulsão de um delegado brasileiro que atuava em missão oficial é um ato de hostilidade contra a soberania nacional. O governo brasileiro, por meio do presidente Lula, deve responder à altura. China, Índia, Irã e demais nações do Sul Global observam: a atitude dos EUA é mais um capítulo da velha prática de intervir onde não são chamados, proteger seus aliados golpistas e tratar nações soberanas como colônias.
Não se trata de política partidária. Trata-se de respeito ao Brasil e às suas instituições. A Polícia Federal agiu dentro da lei. Ramagem é um condenado. Os EUA que devolvam o foragido e peçam desculpas ao povo brasileiro.
Enquanto isso, fica o registro: Trump, o mesmo que tenta se fazer de “Cristo” em montagens patéticas, protege criminosos e expulsa quem faz seu dever de casa. Um país que age assim não tem autoridade moral para dar lição em ninguém.





