
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu neste domingo (12) a derrota nas eleições parlamentares do país, após projeções indicarem ampla vitória da oposição liderada pelo partido Tisza.
“O resultado das eleições, embora ainda não seja definitivo, é compreensível e claro. É doloroso. Não nos foi concedida a responsabilidade nem a oportunidade de governar”, declarou Orbán em discurso a apoiadores, acrescentando que já havia entrado em contato com o líder adversário para parabenizá-lo.
O premiê prometeu que seu partido, o Fidesz, continuará servindo a Hungria na oposição. “Nunca nos renderemos. Nunca, nunca!”, insistiu.
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Comparecimento recorde
Segundo a primeira contagem, a aliança Fidesz-KNDP conquistou 54 cadeiras, enquanto o Tisza, liderado por Péter Magyar, garantiu 138. O Escritório Nacional Eleitoral da Hungria informou que 77,8% dos eleitores registrados, ou mais de 5,8 milhões de pessoas, votaram nas eleições deste domingo, um recorde para o país.
Com 45,7% dos votos apurados, o Conselho Nacional Eleitoral projetou que o partido Tisza deverá conquistar 135 das 199 cadeiras do Parlamento, garantindo uma maioria de dois terços, número suficiente para promover alterações na Constituição.
Quem é Péter Magyar, o vencedor
Advogado de 45 anos, Péter Magyar foi aliado de Orbán e integrou estruturas do governo antes de se tornar um dos principais críticos do sistema. Sua projeção nacional ocorreu a partir de 2024, após um escândalo envolvendo o perdão em um caso de abuso infantil. O episódio levou à renúncia da então presidente Katalin Novak e da ex-ministra da Justiça Judit Varga, que foi casada com Magyar até 2023.
Após o caso, ele deixou cargos públicos e passou a denunciar corrupção no governo. Nos dois anos seguintes, percorreu o país em campanha, defendendo mudanças estruturais. Prometeu desmontar o sistema político atual “tijolo por tijolo”, além de melhorar serviços públicos e combater a corrupção.
Magyar nasceu em uma família conservadora e atuou como diplomata junto à União Europeia. Ele assumiu a liderança do partido Tisza e ganhou visibilidade ao obter o segundo lugar nas eleições europeias de 2024.
Posições divergentes
As posições de Orbán e Magyar divergem radicalmente em muitas questões. Orbán apoia o fim do conflito ucraniano e defende as negociações de paz, enquanto o líder da oposição compartilha da posição da União Europeia sobre a necessidade de continuar o apoio militar a Kiev.
Orbán, conhecido por seu conservadorismo, esteve no poder desde 2010. Seu partido e seus parceiros democratas-cristãos ocupavam 135 das 199 cadeiras na Assembleia Nacional. Ele também é associado a um programa de nacionalismo econômico chamado ‘Orbanomics’ e às suas críticas ao apoio financeiro e militar da UE à Ucrânia.
Durante seu governo, Orbán bloqueou várias rodadas de sanções contra a Rússia e só cedeu após obter isenções que permitiram à Hungria continuar comprando energia russa. Além disso, Budapeste vetou um pacote de empréstimo da UE de € 90 bilhões para Kiev.
Posição de Magyar no cenário internacional
No campo internacional, Magyar afirmou que pretende aproximar a Hungria da União Europeia e da Otan, além de adotar uma postura crítica em relação à Rússia. Ao mesmo tempo, mantém posição contrária ao envio de armas à Ucrânia e à integração acelerada do país ao bloco europeu.
Na política interna, defende o endurecimento das regras migratórias e o fim do programa de trabalhadores convidados. Em relação aos direitos da população LGBTQIA+, declarou apoio à igualdade perante a lei.
Transição
Orbán afirmou que seu partido conseguiu “reunir dois milhões e meio de eleitores”, um número que nunca haviam alcançado antes. “Nunca antes fomos tantos, e nunca antes trabalhamos tanto em uma campanha eleitoral”, disse.
O líder do Tisza, Peter Magyar, confirmou ter recebido a ligação de Orbán e celebrou a vitória. “Obrigada, Hungria”, escreveu em suas redes sociais.
A vitória de Péter Magyar marca o fim de um ciclo político de mais de 16 anos sob o comando de Viktor Orbán, que consolidou no país o modelo conhecido como “democracia iliberal”.



