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Dono da Choquei recebeu R$ 270 mil de MC Ryan SP, diz advogado

Foto: Reprodução / Choquei

O influenciador goiano e dono da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, recebeu R$ 270 mil do funkeiro MC Ryan SP por serviços de publicidade, segundo informação dada ao g1 pelo advogado Frederico Medeiros. Além desse valor, Raphael teria recebido uma transferência de R$ 100 mil de uma pessoa que ele alegou desconhecer, em depoimento à Polícia Federal.

Raphael foi preso preventivamente em um condomínio de luxo de Goiânia na quarta-feira (15), suspeito de atuar na produção e divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e a mais dois investigados por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão.

Defesa nega envolvimento em organização criminosa

A defesa do influenciador, representada pelos advogados Frederico Medeiros e Pedro Paulo Medeiros, nega o envolvimento dele na organização criminosa e afirma que “seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital”.

Segundo Frederico, a relação entre Raphael e MC Ryan SP era exclusivamente profissional e o influenciador não tem qualquer envolvimento no suposto crime de lavagem de dinheiro. Os pagamentos foram recebidos em parcelas, entre 2024 e 2025.

Sobre os R$ 100 mil, o advogado afirmou que a polícia identificou que a transferência foi feita por uma pessoa chamada Ricardo. “O Raphael suspeita que seja um terceiro, que tenha pago algo em favor do MC Ryan”, explicou.

Postagens exaltando o cantor na Choquei

Dias antes da prisão, a página fez publicações exaltando MC Ryan SP. Em uma delas, o perfil publicou um vídeo do cantor comemorando o retorno ao Top 1 como o artista mais escutado do Brasil com a legenda: “O maior!”. Em outro post, a página afirmou que Ryan foi apontado por outros funkeiros como o MC mais rico do cenário.

Segundo a decisão judicial, o dono do portal de fofocas é apontado como “operador de mídia da organização, recebendo altos valores” de MC Ryan SP (líder e beneficiário econômico), Tiago de Oliveira (braço-direito) e José Ricardo dos Santos (responsável operacional). Os valores também se referem à promoção de plataformas de apostas ilegais e rifas digitais.

Operação da Polícia Federal

Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisões temporárias em vários estados, incluindo Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Distrito Federal. Veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos.

Os suspeitos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O que diz a defesa de MC Ryan SP

A defesa do funkeiro informou que ainda não teve acesso ao processo, que tramita sob sigilo, mas ressaltou “a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras”, afirmando que todos os valores possuem origem comprovada e tributos recolhidos.

Como um backup no iCloud derrubou o esquema

A investigação que prendeu o dono da página e MC Ryan SP começou com a análise de arquivos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, obtidos pela Polícia Federal em 2025, durante uma operação anterior.

Os dados extraídos da nuvem revelaram uma organização criminosa que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão com bets ilegais, rifas digitais, empresas de fachada e laranjas.

A partir desse material, a PF identificou Raphael Sousa Oliveira (dono da página) como “operador de mídia” do grupo, recebendo valores para divulgar conteúdos favoráveis, e MC Ryan SP como “líder e principal beneficiário econômico” do esquema de lavagem de dinheiro.

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